Segunda-feira, 19 de Maio de 2008

Nirvana (Diga que eu sou a única abelha no seu boné)

Budistas meditam até chegar lá.
Espíritas reencarnam e reencarnam até conseguir acertar.
Protestantes recebem a Graça de Deus.
Católicos acreditam em "no pain, no gain".

Mas eu fui iluminado quando ouvi essa música e esse clipe aí embaixo.






Tem uma foto na parede à minha frente, de um ancestral primitivo que ficava nas orlas rochosas e mantinha as praias livres de naufrágios. Apesar de respeitá-lo pra caramba, eu seria despedido se esse fosse meu trabalho, depois de matar Jasão e seus incontáveis agonizantes argonautas!

Domingo, 11 de Maio de 2008

Eu e o Grunge

  • Como um bom filhote dos anos 90, eu também fui grunge. Tá, eu era nerd que ouvia grunge, mesmo porque usar camisa de flanela no calor de Araçatuba é idiotice. Hoje eu sou nerd que ouve de tudo, caso você esteja se perguntando.
  • Em panos limpos: não gosto de Nirvana. Acho o Nevermind legal, gosto de algumas músicas mais popzinhas do Incesticide, e para por aí. Nunca me interessei em me aprofundar na banda. E volto a dizer que prefiro o Dave Ghrol, tanto musicalmente quanto "rockstar"riamente falando.
  • Adoro Pearl Jam. A primeira banda que eu tornei fã de verdade, lá pelos idos de 1998. Na época eu não sabia, mas eu sou viciado em rock de arena (ou rock heróico, como o Deroco definiu uma vez). Fora com a escuridão do Nirvana, eu sou muito mais o discurso do Eddie Vedder. E o que mais me deixa feliz é ver que eles são os últimos sobreviventes do grunge, mesmo sem ser grunge desde 96. "Eu estava certo, eu estava certo!!"
  • Curto Soundgarden, e acho que grunge-grunge mesmo é o som deles: metal misturado com punk misturado com barulho misturado com sujeira. Chris Cornell continua um dos melhores vocalistas do rock, apesar do Audioslave não ter dado muito certo.
  • Eu não deveria gostar de Alice in Chains, porque se Nirvana é sujo e depressivo, AiC é um cara chapado pendurado numa forca se esforçando pra cortar os pulsos. Mas eu acho muito foda, principalmente os EPs acústicos.
  • Abrindo uma brecha aqui, eu adoro Foo Fighters e desprezo pessoas que desprezam o Foo Fighters. Mania adolescente besta de rejeitar tudo que toca nas rádios e na MTV. Dave Ghrol sobreviveu ao fim do Nirvana e mostrou que era capaz de compor, tocar, fazer piadinhas e dançar "Take on Me".
  • E finalmente, se tem uma música que eu jamais vou cansar de ouvir, é essa aqui:




Domingo, 4 de Maio de 2008

Hinos Dominicais (com Guitarras!!): Bohemian Rhapsody

"Oh, mama mia, mama mia! Mama mia, let me go!
Beeeee-el-zebub has a devil put aside for me...
For me...
For meeeeeee..."


Eu confesso que não tinha muita noção da importância do Queen até algum tempo atrás. Que o Queen foi um fenômeno durante os anos 70 e 80, e que eles tinham a melhor vocalista e diva do rock, isso eu já sabia. Mas que o Queen era tremendamente respeitado por onze entre dez metaleiros, nem passava pela minha cabeça. Pode pegar qualquer revista que tenha entrevistas com grandes nomes do metal e do hard rock, e sempre que se pergunta o disco favorito do sujeito, invariavelmente aparece um disco do Queen ali. Não foi por acaso que o Metallica fez cover de Stone Cold Crazy. Pra quem tá acostumado a ver o Queen só como uma banda popular do passado, é um baita choque ver o quanto o metal e o rock em geral deve à Rainha.

O Hino Dominical com Guitarras dessa semana é Bohemian Rhapsody, a música que fez com que o Queen firmasse sua posição no panteão dos Deuses do Rock. Presente no disco "A Night at The Opera", de 1975, Bohemian Rhapsody passeia entre vários estilos musicais, passando por baladas de pianos e corais de ópera antes de acabar na explosão de guitarras típicas do Queen. A letra (segundo a wikipedia) fala de um homem que mata uma pessoa e vende sua alma ao demônio. Na noite de sua execução, ele clama a Deus por ajuda, que envia os anjos que salvam sua alma. Viajado e exagerado, como toda boa música do Queen. A gravação também foi um puta exagero: foram 3 semanas de ensaios, 3 semanas de gravação, 4 estúdios utilizados, 10 horas diárias de gravação de overdubs das vozes. As fitas magnéticas, de tantos overdubs, já estavam transparentes de tanto passar pelo cabeçote de gravação. Até hoje foi a música mais cara já feita, e uma das mais elaboradas em termos de técnica de estúdio. (E hoje em dia, com tantas inovações e possibilidades que os estúdios modernos oferecem, ninguém se habilita a ousar ou inventar moda nos estúdios, salvo algumas raras exceções. Ironias do rock...).

Quando Bohemian Rhapsody foi lançada, disseram pro Fredão que a música era muito longa e nunca faria sucesso. Como boa diva que J-A-M-A-I-S é contrariada, Freddie Mercury pegou uma cópia do single e entregou pra um DJ pessoalmente, dizendo que era um presente, mas pra não tocar na rádio de jeito nenhum. Resultado: num único dia o cara tocou a música quatorze vezes, e nos dias seguintes todas as rádios imploravam por cópias do single. Até o fim da semana já se ouvia Bohemian Rhapsody em todo lugar. Sem um único corte.




BÔNUS: Foo Fighters tocando Tie Your Mother Down junto com Brian May e Roger Taylor.
BÔNUS 2: Foo Fighters tocando 39 junto com Brian May e Roger Taylor. Não é por nada não, mas pra mim a melhor contribuição do Nirvana pro rock mundial foi ter formado o Foo Fighters.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

Square One

Lá em Araçatuba eu tinha 80 gigas de mp3. Todas legais, claro. Backup de CDs que eu comprei na loja como boa pessoa que sou, ok, Sr. delegado da Polícia Federal? Aí quando me mudei pra Salvador no mês retrasado essa coleção ficou por lá, e ainda não faço idéia de quando vou voltar pra lá.

Como você recomeça uma coleção de mp3 do zero? Baixa tudo o que você já tinha? Ou baixa os discos que você não tinha? Baixar primeiro as músicas que você mais ouve parece a escolha mais sensata. Mas aí você pensa nas suas músicas preferidas e percebe que demoraria meses pra baixar todas. E separar as preferidas entre as preferidas parece cruel demais. Como John Lennon se sentiria se eu lhe contasse que prefiro os discos solos do George Harrison? Será que o Clash me deserdaria se soubesse que eu baixei Dookie do Green Day um pouco antes do London Calling? Pelo menos o Eddie Vedder ficaria feliz de saber que eu já baixei os discos todos do Pearl Jam...mas aí ele veria que eu ando ouvindo mais Black Crowes. E o pior: que tipo de retardado perde o tempo planejando o melhor jeito de recomeçar uma coleção de mp3?

Mas agora que existem arquivos digitais, a vida dos fãs de música deve ter se tornado muito menos traumática. Imagina você lá nos anos 80 com aquela coleção de bolachões estilo Alta Fidelidade, e o viado do seu chefe resolve te mandar pra Manaus. Você tem que ir e não tem como levar e nem onde guardar todos aqueles vinis. Mas como você fica sem sua música? Pessoas normais falariam "Ah, mas é só música!". HERESIA! São pedaços da sua alma, arrancados pouco a pouco pelas letras e acordes mais marcantes, e guardados naqueles discos, fitas, mp3 ou o que for. Se essa coleção se perde, você vira uma sombra negra vagando pelo mundo à procura de uma forma de conseguir seu poder de volta. Sauron tinha Um Anel, fãs de música retardados tem coleções de discos.

Domingo, 27 de Abril de 2008

Hinos Dominicais (com Guitarras!!): Stairway to Heaven

Hoje a gente começa (ou tenta começar) uma nova seção semanal aqui no Barulho de Merda: os Hinos Dominicais (com Guitarras!!). Porque vocês sabem, tem coisas que são sagradas. Católicos vão à igreja, protestante vão ao culto, e roqueiros ligam o som no máximo e botam seus hinos sagrados pra tocar (bater cabeça e fazer chifrinho é opcional, exceto para fãs do Slayer).

E pra abrir a seção, nada melhor que começar com o hino que deu origem à todos os hinos: Stairway to Heaven, do Led Zeppelin. Amado por muitos, odiado por muitos, a representação perfeita da grandiosidade e dos exageros do Led Zeppelin. Alguns dirão "música eterna", outros dirão "música de velho", mas eu digo "música caralhal" e deixo tocando até o último gritinho do Robert Plant. Porque hino é hino, e prontoacabô.

Stairway está no disco "IV" do Led Zeppelin, e teve seu instrumental composto pelo lendário Jimmy Page. Na verdade a música foi sendo composta aos longo dos anos, com Page juntando diversos pedaços de músicas menores até formar um épico de 8 minutos. A letra foi escrita pelo Robert Plant, e inspirada em livros de magia céltica, explicando o clima meio místico meio fantasia da música. Um boato famoso é o de que a banda teria incluído mensagens subliminares na música, para serem ouvidas quando se toca o disco ao contrário. Nossa equipe de investigadores do oculto ouviu a música inteira ao contrário e descobriu que Robert Plant canta uma ode erótica à um tubarão, e que o solo de guitarra na verdade emula os sons que alguém faria se estivesse...bem, é melhor deixar pra lá. Com vocês, no videozinho do youtube, Stairway to Heaven.



Bônus: Se sua praia não são músicas épicas de 20 minutos e solos ejaculativos de guitarra, fica aqui o link pra versão de Stairway to Heaven sendo tocada pelo Beatnix, uma banda cover dos Beatles. Conversão totalmente perfeita, com direito a "wooooos" harmonizados e "waaaaaaaaaaah!" antes de entrar na parte mais rápida da música.

Sexta-feira, 25 de Abril de 2008

3 minutos

  • Finalmente o R.E.M. resolveu deixar os discos complicados pro Radiohead fazer e voltou a fazer músicas de verdade em Accelerate. Mas mesmo assim eu não consigo entender uma letra do Michael Stipe, e me sinto uma pessoa muito ruim por causa disso.
  • Finalmente (2) criei vergonha na cara e fui ver do que se trata a Mallu Magalhães. Ela canta bem, é inteligente, fofinha, compõe as músicas dela, tem bastante talento, mas pô, nada a ver, é uma criança. Deixem ela em paz, indies chatos de merda. Daqui a alguns meses jogam ela no lixo em que jogam todas as bandas e lá se vai mais uma artista que poderia ser boa. Ou pior ainda, apresentam ela pro Marcelo Camelo e aí sim, fôdeu.
  • Finalmente...ah, sem finalmentes. Dica de rádio na internet: KROQ of the 80s. A KROQ era a RÁDIO durante os anos 80, conhecida pela liberdade de transmissão que tinha e por ser responsável por lançar várias bandas de metal e de punk. Aí aconteceu o óbvio: tudo desandou e a rádio virou uma MTV radiofônica, tocando 24 horas de merda. a KROQ of the 80s é uma emulação dessa rádio nos seus bons tempos, e toca música legal 90% do tempo.
  • Finalmente por hoje é só. Andem pela sombra e não comam groupies estragadas.

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Black Crowes - Warpaint

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Dizer que os Black Crowes são uma banda fora de lugar no tempo é chover no molhado. Eles não são a única banda do mundo que ainda prega a bíblia dos Stones e do Skynyrd, mas dessa leva eles são os únicos que realmente honram suas inspirações. Rockão clássico e autêntico, com um pé no country branquelo e outro no soul negão, do tipo que não se via desde que os Stones se exilaram na rua principal e fizeram o melhor disco de rock americano feito por ingleses da história. Os Black Crowes entraram na estrada fazendo o melhor rock dos anos 70 feito nos anos 90. A banda acabou no começo do século 21, só para voltar alguns anos mais tarde no melhor estilo setentão: fazendo uns shows aqui, lançando discos ao vivo ali, soltando gravações e discos inteiros perdidos, chamando os fiéis para a congregação e anunciando mais um capítulo da bíblia dos corvos pretos: Warpaint.

Warpaint não traz inovações sonoras, nem incursões em territórios desconhecidos, nem experimentações nem ousadias. Você já viu isso antes, e se funcionou antes vai funcionar de novo. A principal ousadia do Black Crowes é essa, ser uma banda de rock das antigas em pleno século 21 e continuarem na estrada por quase 20 anos, quando o prazo de validade de uma banda hoje em dia é 5 anos

Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

Doce Lar Alabama

E aí eu tava procurando umas imagens pra fazer um post apresentando o nosso staff, e eis que eu me deparo com a notícia bombástica: Eddie Vedder e Dave Ghrol montaram uma banda cover do Lynyrd Skynyrd! Não acreditam? Olha a prova aí embaixo:



Bom, podia ser verdade! Na verdade eles podiam chamar o Marc Ford, ex-guitarrista dos Black Crowes, arranjar um baixista e baterista e sair por aí proclamando o som do sul. Outra coisa que eu achei enquanto procurava as fotos foi essa imagem aí embaixo. Porque tem cara que nasceu pra ser rockstar, e não precisa se esforçar pra isso. Deve ter estátua do Elvis em Memphis, tem aquela estátua do John Lennon sentado no banco da praça, mas nunca vi uma estátua mais "Eu sou foda, fala ae" do que essa estátua da Rainha.

I'll overkiiiiill!

Rock on, Freddão!

Quarta-feira, 16 de Abril de 2008

Barulho de Merda

O que diabos é rock? Essa pergunta vem assombrando os filósofos a séculos. Platão dizia que rock podia ser dividido em uma guitarra, um baixo, uma bateria, um vocalista e uma groupie bem gelada. Sócrates afirmava que rock era um sentimento profundo e primal, mas ele preferia trip-hop pra pegar as minas na balada. Maquiavel montou os Sexum Pistolus Est e encheu o rabo de grana durante a Idade Média. Nietzsche rejeitava os rótulos e dizia que emos também tem sentimentos. Mas talvez a resposta esteja nesse pequeno koan tibetano do século III:


"Uma vez perguntaram para Bon Scott qual seria o sentido do rock. Bon Scott olhou diretamente nos olhos de seu interlocutar, e após alguns segundos de ponderação, vomitou 7 litros de vodka no pé do interlocutor e em seguida desabou no chão em profundo coma alcoólico. E naquele instante, o interlocutor atingiu o nirvana e sofreu uma overdose de heroína."

Sejam bem-vindos ao Barulho de Merda. Esse é um blog sobre música e tudo que vem junto com ela, então aperte os cintos e agarre sua toalha enquanto arrumamos as coisas por aqui.